***CoMpliCadO & perfeitinho




Um dia eu vou ser uma cantora como a Madonna. Tirando o beijo com a Britney. Ah, o cigarro também. Ah, e a mão no peito. rs



 Escrito por Maria às 14h55
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Deitada, posição fetal, numa grande cama com lençol branco ainda quente do sol que o secou durante o dia no varal, ela estava lá. Corpo sujo. Olhos apertados, não sei porque. Talvez ela quisesse esquecer por um tempinho.

 

Então ela sente falta da cumplicidade de um amigo que fosse, de uma preocupação perceptível, de um toque nos cabelos que a fizesse adormecer sorrindo. Vontade de desabar num sono profundo, um sono bom. E não sonhar com nada porque seus sonhos já são grandes um bocado.

 

Suas pernas magras doem. Porque ela deu (e quase sempre dá) passos firmes, porém, alegres, às vezes saltinhos. Mulher. Sempre com ar de mulher. Mas ela brinca enquanto anda apressada pelas ruas, como pode? Bem, essas coisas não se definem. São. Só que agora, é verdade, sem razão, ela está se sentindo mal. Mas, com o rosto sereno e a boca que nunca se deixa fechar totalmente, ela dorme sem perceber. Dorme sossegada. Em paz.

 

 

 

 

*

*

*

- Está na hora.

 

Ela abre os olhos devagar e, primeiramente, observa as paredes e os objetos do quarto. É diferente, ela bem sabe. Está limpa, suas perninhas já não estão cansadas. Ela está tranqüila, suas unhas ruídas até cresceram. Sabe, parece que se passaram dias. Ela ri baixinho. E se mexe para o outro lado. Lépida.

 

Por cima do edredom colorido, ela então pode agora observar a figura de um homem (homem? E ele já se fez um homem?), ali, sentado na ponta da cama. Barba rala, olhos tristes, bonito... ela se recorda de um tempo remoto. Sorriem. Os dois. Lá. Os dois.

 

São próximos, já íntimos, não há porque formalidades. E ela parece se tocar de que gosta dos olhos dele bem mais do que imaginava. Sorriem outra vez, não esquecendo dos olhos brilhantes. Sabe, eles se compreendem.

 

Silêncio. Outra vez o silêncio. E o silêncio, por esse instante, valeu ouro de marca maior. Na sua cabeça só passam os textos bonitos que ele escrevia para ela, a arte, os cheiros imaginários.

 

Então (de novo), ela pensa um segundo e se adianta, arrisca, sem pudor:

 

- Sabe, aqui é um lugar frio.

 

...

 

 

 

 

 

Gemidos.

Barulhos.

Suor.

Gozo.

Gozo.



 Escrito por Maria às 08h44
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Me dê a mão

Vem ser a minha estrela

Complicação

Tão fácil de entender

 

*Um certo alguém/Lulu Santos



 Escrito por Maria às 21h27
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Então estávamos eu, minha mãe (que tava lendo gibi e nem participa da história que vou contar) e minha irmã, Júlia (http://juliarojanski.fotoblog.uol.com.br), de nove anos, em frente a tv assistindo à alguma coisa. Alguma coisa não, era uma coisa que a Júlia tava assistindo. Uma novela, pra falar a verdade. Aliás, percebi que era mesmo uma novela, quando, acordando do meu mundo, ouço uma gritaria vindo da tela.

 

Putz, novela mexicana já é um saco, agora quando o povo que escreveu quer que a gente fique com medo de que a protagonista, melhor, a menina que deu nome à novela, morra... é o fim da picada.

 

Pois bem, então eles estavam lá, em alto mar, chamando o nome da “Amy”, gritando muito.

 

 

- Amy! Cadê vc???

 

Ai, e se o negócio já não era muito bom, finalizava tudo com aquelas vozes estridentes chatas da dublagem.

 

E a tal da Amy nada de aparecer.

 

...

 

Uma coisa importante:

Nesses horários de quase noite, vez ou outra eu acabo por ouvir, meio de longe, a musiquinha de abertura da novela que a minha irmã não perde. É em outra língua mas tem vezes que dá pra entender. Geralmente essas músicas repetem várias vezes o nome da novela, coisa e tal.

 

Aí, só pra assustar a Júlia (que tava muito entretida com a trama), eu cutuquei:

 

- Ai, eu acho que a Amy morreu!

 

Meio na dúvida, mas muito arrogante, ela respondeu:

 

- Claro que não.

- Morreu sim. Eu acho que ela morreu.

- Maria, eu vi a Amy. Ela NÃO morreu!

- Pra mim, a Amy morreu.

...

 

Já com vontade de me esganar, ela soltou com um ar de última palavra:

 

- Maria, tu nem sabes quem é a Amy. Cala a boca.

 

E virou pra frente.

 

- Ué! A Amy não é  a menina da mochila azul???

 

***

 

Ah, sim, o nome da novela que estávamos assistindo era ”Amy, a  Menina da Mochila Azul”.



 Escrito por Maria às 20h55
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Dois pontos do país. No mesmo lugar.

 

Na Bahia?

Tudo bem.

Mas fique num lugar bem colorido (vc deve gostar de cores, né?). Ah, e não tire a barba. Eu vou estar lá, precisamente em alguma hora da tarde. E não fale nada, apenas sorria com seus olhos que devem ser brilhantes, e se não forem, tudo bem, eu os faço serem de lá pra frente.

Afins.                           

Vou tomar sua mão com firmeza, não, não é bem firmeza, o correto seria atitude. Automático. Quase dona. Permitida. Então andaremos (muito, sem respeitar e perceber os limites de estados, cidades, bem, as merdas de fronteiras) por ruas movimentadas, onde a tarde e a noite, não se sabe bem, confundem-se. Não nos daremos conta.

Andando. Mãos dadas. Trocaremos histórias, repetiremos nossos bordões. Aí, cansados, nós nos sentaremos num dos bancos grandes de madeira envernizada da praça da Bandeira e vc vai poder ver como era verdade o que eu dizia, que em Macapá faz um sol lindo e principalmente no fim da tarde, com o céu tomado de (mais) cores mesclando-se simultaneamente (olha, então estaremos no fim da tarde! E em Macapá!).

Andaremos por dias e dias. Noites e noites. Sorrindo.

É bem verdade, talvez vc deva gostar muito do meu cabelo, ele tem um cheiro bom. E eu talvez deva gostar da sua voz.

Ei, nossos olhos brilham. E a vida não é tão filha da puta. Toca o sininho do vento em algum lugar. Que engraçado. É bonito.

*

*

*

Voltei.



 Escrito por Maria às 21h31
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